Ela, que participou do evento como delegada, representando o CRP14, disse que os destaques das discussões foram desafios para a reforma psiquiátrica, como a implementação de uma assistência à saúde mental voltada para a rede, isto é, a intersetorialidade. Outro ponto amplamente debatido foi a Geração de Renda e Economia Solidária, que busca transformar o usuário do serviço de Saúde Mental em protagonista de seu tratamento e de sua vida, além de proporcionar a inserção do mesmo na comunidade, uma vez que ele precisa ir "para além" do serviço.
Os Direitos Humanos também ganharam destaque na conferência, já que a saúde é um direito humano fundamental. Em relação ao papel de fiscalização que o usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos serviços de Saúde Mental devem desempenhar, Caroline relatou que foi destacada a necessidade da criação de comissões de saúde mental nos conselhos de saúde no que tange as três esferas governamentais.
Com relação às discussões acerca de um modelo de saúde mental mais aberto, o mesmo foi apontado como base do processo de efetivação da Reforma Psiquiátrica. "Assim, a família terá participação e será parceira no tratamento do familiar com transtorno mental. Além disso, serão realizadas assembleias e fóruns deliberativos, e haverá inserção na comunidade, uma vez que o tratamento é feito no território", destaca a psicóloga.
Sobre a participação da categoria na Conferência, Caroline disse que foi possível perceber o comprometimento dos psicólogos na luta pela construção e efetivação de uma política de Saúde Mental exclusivamente composta por serviços abertos e de base comunitária, que possam oferecer um atendimento integral à pessoa com sofrimento psíquico. "Acredito que os psicólogos fizeram excelentes discussões durante a conferência e que, ao retornarem aos seus locais de trabalho, serão multiplicadores de uma política cada vez mais desinstitucionalizante com ênfase na intersetorialidade", enfatiza.
A Conferência Nacional de Saúde Mental contou com 54 Grupos de Trabalho, 37 painéis e 3 mesas de debate e teve como resultado final a votação de 1.235 propostas, que serão consolidadas e apresentadas pelo Ministério da Saúde.
"Nós, profissionais, que muitas vezes somos também usuários do SUS, temos o dever de participar ativamente, fiscalizando e exigindo que se concretizem nossas discussões. Com relação ao tempo que o governo levará para colocar as propostas em prática, penso que onde houver viabilidade, haverá um esforço para que seja efetivado o mais rápido possível. Onde essa viabilidade existir, haverá um esforço para criá-la. E, apesar de ainda existirem muitos desafios, esperamos nove anos por esta conferência. Sendo assim, precisamos aproveitar este momento, compreendendo que é um trabalho complexo a ser realizado e que necessita de afinidade e amor por parte do trabalhador", finaliza a psicóloga.
Confira abaixo os nomes de todos os psicólogos que integraram as delegações dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul na Conferência:
Mato Grosso:
- Mauro Augusto de Oliveira Kock
- Rita de Cássia Silva Desidério Cutiaro
- Adriana Guirado Rao
- Vânia Regina da Silva
- Walter Jorge Mutran Júnior
- Observadora: Maria Aparecida de Amorim Fernandes (conselheira do CRP14)
Mato Grosso do Sul:
- Caroline Queiroz Dutra
- Edimara Gonçalves de Souza
- Mauro Corsine Rezende da Costa
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