Enquanto alguns especialistas enaltecem a iniciativa, dizendo que é necessária para os estudantes que apresentam os problemas, outros questionam a partir do argumento de que a dislexia não existe.
A dislexia é definida como um distúrbio de aprendizagem de base neurológica e genética, que faz com que algumas áreas cerebrais sejam menos ativadas. Isso afeta principalmente os campo de leitura, escrita e soletração. Pode ocorrer em jovens ou adultos.
Nos mais novos, o problema se concentra mais na leitura e escrita. Já nos adultos, o emocional é o campo mais afetado. O tratamento é feito por psicólogos, fonoaudiólogos e psicopedagogos. Estima-se que de 5% a 17% da população mundial é disléxica.
Controvérsia
Por outro lado, de acordo com a professora doutora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Maria Aparecida Moysés, não existe nenhuma comprovação que a dislexia exista. "A dislexia como um problema neurológico nunca foi comprovado e, além disso, o diagnóstico é feito de maneira errada. Para ver as regiões desativadas, os médicos fazem testes de leitura e exames como ressonância magnética. Se o paciente tem dificuldade, é lógico que essa área cerebral será menos ativada", afirma. Segundo a professora, o que está confirmado é a perda do domínio da linguagem escrita após uma lesão.
Para a psicóloga da Associação Brasileira de Dislexia (ABD), Márcia Barreira, identificar a dislexia não é muito fácil, pois as pessoas se confundem com a simples falta de atenção. Ela explica que quando uma criança entra em um processo de alfabetização e apresenta dificuldades com leitura, escrita e ortografia, que outras crianças da mesma idade não têm, é preciso fazer um diagnóstico. Outro sinal que pode identificar a dislexia é a dificuldade para memorizar o que se aprende. "Quanto mais cedo essas crianças são diagnosticadas, menos danos emocionais elas sofrerão no futuro, como bullying", diz.
Enquanto isso, Maria Aparecida defende que a diferença na aprendizagem de um aluno para outro pode estar ligada a fatores externos. "É fácil dizer que as crianças não aprendem porque são disléxicas. Um dos maiores problemas das escolas brasileiras é que querem que os alunos aprendam do mesmo modo e ao mesmo tempo". Por outro lado, a psicóloga da ABD afirma que colocar a culpa sempre no ensino é desconsiderar o aluno como indivíduo.
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